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O Museu Colecção Berardo apresenta um novo percurso através das obras da Colecção onde pretende aprofundar a noção referida pelo escritor e artista Pierre Klossowski - “Je me trouve sous la dictée de l’image” [estou subjugado ao ditado da imagem].
A primeira sala é dedicada a estabelecer um inventário desta atracção da arte moderna pela imagem por meio da reprodução de alguns diagramas que apaixonaram os pioneiros da arte moderna. O mais conhecido e discutido deles é o diagrama publicado em 1936 por Alfred H. Barr para a exposição Cubism and Abstract art (MoMA, Nova Iorque). Esta genealogia em forma de imagem é contraposta a um outro diagrama publicado em França, em 1955, e a uma crítica irónica de Ad Reinhardt, de 1946, o qual viria a trabalhar, precisamente, no alargamento dos limites da arte abstracta. Esta introdução, ilustrada por algumas obras fundamentais da colecção, conduz à representação do Surrealismo, neste caso apresentada numa espécie de gabinete de curiosidades que recorda a instalação do apartamento de André Breton, na rue Fontaine, em Paris. A revolução surrealista não admite a representação de objectos a não ser que sejam estabelecidas novas relações. Apaixona-se pela arte primordial, dita então “primitiva”: e se se pintasse, pintar-se-ia com o inconsciente. O rico fundo de arte africana da Colecção Berardo foi aqui utilizado.
De seguida, a exposição explora as experiências com fotografia de Constantin Brancusi – cuja obra fotográfica vai além da “reprodução” da escultura – até Francesca Woodman, passando por dois artistas portugueses, Fernando Lemos (cuja obra, datada de 1949-1952, foi redescoberta nos anos 2000) e Vítor Palla. Apresentam-se ainda três obras de Pierre Klossowski que pertencem à Colecção Berardo (dois desenhos de grandes dimensões e uma escultura), as quais são confrontadas com Paula Rego (The Barn, 1994) e Francis Bacon (Oedipus and the Sphinx After Ingres, 1983), bem como com duas telas de 2008 de Julião Sarmento (que pertencem a colecções particulares) e que citam escritos de Klossowski.
Por fim é projectado 1619 de Laurent Grasso, um video em loop, que faz referência à data na qual Galileu utilizou, pela primeira vez, o termo "aurora boreal": o vídeo reproduz de forma artificial as vibrações coloridas desse fenómeno luminoso num ambiente em que se distingue, no seu interior, uma esfera geodésica.
Está patente no piso -1 do Museu Colecção Berardo de 1 de Março a 18 de Maio.
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