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Exposições e Eventos


27-10-2009 ~ 07-02-2010

Alma Africana




A arte africana é uma história que se conta desde que a humanidade deambula pela terra. Se, ao longo dos séculos, determinadas formas de arte se extinguiram, outras surgiram para tomar a dianteira. A exposição Alma Africana – African Soul apresenta ao público uma mostra de arte africana oriunda dos quatro cantos do continente e abarcando diversos séculos. Esta colecção foi reunida ao longo de muitos anos e integra tanto a arte antiga como a moderna de África.

A exposição começa com um panorama de uma antiga – de facto, arqueológica – produção de figuras de cerâmica funerária da cultura Bura-Asinda-Sika, do Níger. A sociedade de onde emanam estas figuras terá deixado de existir, mas os seus vestígios artísticos não cessam de nos espantar. Impressionam-nos sobretudo as figuras masculinas em terracota, que parecem indicar que estes povos usavam marcas distintas tatuadas. Nesta exposição, tentou-se dar a conhecer ao visitante o sítio específico de onde provêm as terracotas. Naturalmente, também os povos africanos dos nossos dias deram forma às suas crenças de modo impressionante em termos artísticos. Estátuas e máscaras, armas, artigos de prestígio, joalharia, objectos para uso quotidiano, entre muitos outros, são testemunho da imaginação dos seus criadores e utilizadores. Para benefício dos visitantes, esta parte da exposição foi dividida em duas secções, a saber, uma relativa à (antiga) África não-portuguesa e outra relativa à (antiga) África portuguesa. A Colecção Berardo não tem representados todos os povos africanos, mas esta mostra oferece uma excelente visão geral do que foi alcançado – e ainda é – ao nível das artes por todo o continente. Embora as expressões artísticas tradicionais ainda se encontrem bem vivas na África contemporânea, têm também vindo a revelar-se novas formas de arte. Alguns artistas, como Cherno T. Camará, da Guiné-Bissau, optaram por continuar com a sua arte local – embora para benefício de estrangeiros interessados. Este artista, especificamente, reproduziu as máscaras e estátuas que eram, e são, usadas pelas sociedades locais. Outros, como os escultores Maconde de Moçambique e da Tanzânia, lançaram-se na produção de formas completamente novas, mas com temas tradicionais. As suas esculturas shetani e ujamaa são um retrato expressivo de crenças ainda hoje bem vivas. Por fim, os escultores de pedra, do Zimbabué, que não só se manifestaram através de um novo meio, mas também, escolheram temas completamente novos. Ao longo dos anos, são muitos os artistas que têm conquistado reconhecimento internacional. O que aqui se mostra, no entanto, são obras de arte do início desse movimento artístico, feitas em Tengenenge, um dos berços da escultura em pedra do Zimbabué.

Muito mais se faz, ainda, no continente africano, não obstante todas as dificuldades vividas pelos povos locais, o que vem provar que a produção artística é, indubitavelmente, uma função vital da humanidade.

A exposição estará aberta ao público na Galeria Pátio da Galé (Terreiro do Paço, Lisboa) a partir de Terça-feira, dia 27 de Outubro de 2009 e até Domingo, dia 7 de Fevereiro de 2010.

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